
Não me compares com os demais que te rodeiam e te limitam não só os movimentos, mas também os pensamentos! Te constrangem e prendem numa gaiola sem fuga, que impedem a tua alma de voar bem alto e atingir todos os sonhos e desejos. Felizmente, os meus sonhos mais secretos em nada colidem com as tuas decisões e muito mesmo te algemam a uma vida sem sabor que apenas espera o próximo dia, a próxima semana, o próximo mês, o próximo ano.....
Não me compares porque de ti não espero nada, nem uma ida ao cinema, nem um passeio, nem um jantar, muito mesmo 1 minuto do teu precioso tempo gasto à espera da derradeira ocasião, do momento perfeito, da situação ideal que tudo vai solucionar, esclarecer e trazer o equilíbrio tão aclamado. Os conselhos que te incitam a mudar, a procurar a plenitude da vida podem parecer ideias sem fundamento, de um mundo irreal que não existe, mas a verdade é que tal como eu também tu o esperas alcançar. E como tal, tantas vezes fizeste questão de desabafar e contar as demais incertezas que circundam a tua vida! Muitas das palavras irritam-te porque pensas que menosprezo as tuas sensações e os teus confrontos diários que dependem de inúmeros pormenores. Mas na realidade devias olhar em volta e perceber quem afinal menospreza os teus sentimentos....
Não me compares porque na realidade não me conheces, aquilo que partilhamos não chega para poderes tirares conclusões, julgares pensamentos e emoções, e entender as entrelinhas dos meus pensamentos. Talvez a razão de tudo esteja aqui, também não te conheço o suficiente e aquilo que me transmites é claramente interpretado erradamente e a pessoa que penso que és afinal não existe, não passa de uma projecção da minha imaginação, de uma personagem de um filme criado por mim.
Não me compares porque vês uma realidade distorcida, própria de alguém que construiu um mundo aparte para esconder fragilidades e frustrações. Para justificar a permanência e o adiar de decisões importantes. Para justificar uma situação presa por dúvidas e conflitos que surgem da falta de auto-confiança e medos próprios de alguém que deixou os outros tomar as rédeas da sua vida.
Não me compares porque não sei tirar pedaço, não sei pedir e muitos menos dar parte fraca, e por isso, mesmo que precise de ti não o vais saber, não vais saber o quanto gosto de ti, o quanto te respeito, o quanto te admiro e o quanto desejo que encontres a felicidade!