quarta-feira, dezembro 03, 2008

Queda prohibido


Queda prohibido llorar sin aprender,
levantarme un día sin saber qué hacer,
tener miedo a mis recuerdos,
sentirme sólo alguna vez.

Queda prohibido no sonreír a los problemas,

no luchar por lo que quiero,
abandonarlo todo por tener miedo,
no convertir en realidad mis sueños.

Queda prohibido no demostrarte mi amor,

hacer que pagues mis dudas y mi mal humor,
inventarme cosas que nunca ocurrieron,
recordarte sólo cuando no te tengo.

Queda prohibido dejar a mis amigos,
no intentar comprender lo que vivimos,
llamarles sólo cuando los necesito,
no ver que también nosotros somos distintos.

Queda prohibido no ser yo ante la gente,
fingir ante las personas que no me importan,
hacerme el gracioso con tal de que me recuerden,
olvidar a todos aquellos que me quieren.

Queda prohibido no hacer las cosas por mí mismo,
no creer en mi dios y hallar mi destino,
tener miedo a la vida y a sus castigos,
no vivir cada día como si fuera un último suspiro.

Queda prohibido echarte de menos sin alegrarme,
odiar los momentos que me hicieron quererte,
todo porque nuestros caminos han dejado de abrazarse,
olvidar nuestro pasado y pagarlo con nuestro presente.

Queda prohibido no intentar comprender a las personas,
pensar que sus vidas valen más que la mía,
no saber que cada uno tiene su camino y su dicha,
sentir que con su falta el mundo se termina.

Queda prohibido no crear mi historia,
dejar de dar las gracias a mi familia por mi vida,
no tener un momento para la gente que me necesita,
no comprender que lo que la vida nos da, también nos lo quita.

Pablo Neruda

terça-feira, novembro 25, 2008

I Can See Clearly Now


I can see clearly now, the rain is gone,
I can see all obstacles in my way
Gone are the dark clouds that had me blind
It’s gonna be a bright (bright), bright (bright)
Sun-Shiny day.

I think I can make it now, the pain is gone
All of the bad feelings have disappeared
Here is the rainbow I’ve been prayin' for
It’s gonna be a bright (bright), bright (bright)
Sun-Shiny day.

Look all around, there’s nothin' but blue skies
Look straight ahead, nothin' but blue skies

I can see clearly now, the rain is gone,
I can see all obstacles in my way
Gone are the dark clouds that had me blind
It’s gonna be a bright (bright), bright (bright)
Sun-Shiny day


Johnnhy Nash

domingo, novembro 23, 2008

Chegou...


Não tenho palavras para exprimir o que vai cá dentro, apenas sei que sinto um grande vazio. Há muito que sabia que este momento iria chegar, mas, e sem querer ser egoísta, gostava de lá ter chegado primeiro!

Espero do fundo do meu coração que ele conseguia chegar onde sonha e que tudo se concretize sem grandes obstáculos.  Que possa ser feliz e fazer feliz os escolheu para ter à sua volta! Que cresça e se torne o Homem que tem capacidade para ser! Que a sua ingenuidade não o atraiçoe e não o coloque mais uma vez num caminho de areias movediças, que a sua impulsividade não o leve a uma situação de ruptura com as pessoas que o acolhem e acima de tudo que a sua obcessão por uma nova motivação não o cegue.

Sei acima de tudo que tenho um amigo para a vida, a quem posso dizer a maior loucora, pois sei que a loucora dele vai ser maior que a minha. A quem posso confiar os maiores segredos, as verdades, as mentiras, as incertezas, fragilidades...  

Respiro fundo, sei que chegou ao fim, sei que o que posso ter tenho e não quero mais nada! Na verdade nunca poderia ser de outra forma!  
 

segunda-feira, novembro 03, 2008

Regresso à Infância


Depois de uma viagem de 5 horas lá chegámos... As mesmas ruas à nossa espera, o cheiro profundo da terra, o frio que faz arrepiar e bater os dentes, os mesmos olhares e o relembrar de Verões quentes de Agosto... Aldeia perdida nos montes com pessoas esquecidas que desejam companhia e carinho dos chegados de terras longínquas.

Subo as escadas de pedra desejosa de entrar. Entro, sinto o saudoso ranger do chão e dirijo-me à cozinha para ver as modificações. Olho em volta, a velha janela deu lugar a uma nova, numa parede caiada e lisa, ou contrário da antiga e rugosa. Sim, está diferente, mais espaçosa, mas as memórias continuam entranhadas nas paredes.... Vou ao quintal, e lá está, a casota de madeira, a mesa de pedra, a videira e a grande ginjeira com o seu tronco largo e entrançado. Inspiro e deixo entrar o ar gelado carregado de cheiros familiares e agradáveis. Fecho olhos e consigo ver o avó e os amigos sentados à sombra em mais um jogo de cartas numa tarde de 40 graus. Os cântaros ao sol para termos água quente para o banho do final do dia, e a avó a lavar roupa no tanque. É bom regressar!

Depois da voltinhas para cumprimentar os poucos que restam, sento-me finalmente na cozinha em frente a lareira e passamos um serão agradável a recordar histórias e pensar no que falta fazer para recuperar a velha casa! Assámos castanhas, prova-se a velha aguardente já quase sem álcool e aprecia-se o indescritível paladar de uma comida saudável. Chegado o final da noite, cada qual vai para o seu respectivo quarto e envolve-se bem nos velhos lençóis e cobertores para não deixar entrar o frio.

De manhã regresso ao mundo real, despeço-me dos recantos e volto a aguardar as memórias no baú. Até à volta!



quinta-feira, outubro 30, 2008

Paisagem para o outro lado


Somos confusos como as florestas.

Tu, e eu (e todo!! nós),
temos enredos na voz,
armaduras e espessuras
que nos encobrem de nós.

Anda.
Percorre-me sem desvios,
inteira, plena, despida,
infância desprevenida
sem roupas nem atavios.

Anda.
Rasga esta verde espessura
com teus gestos afiados.
Insinua-te, procura,
derrama a tua brancura
nos trilhos enviesados.
Progride e canta.
Penetra neste matagal bravio,
desembrulhada e erecta
como a vela dum navio.
Singra, desliza suave
como gota que escorresses,
como luar que batesses,
penugem que esvoaçasses.

Entra e serve-te. Verás,
ou caídos ou suspensos,
frutos de aromas intensos
que em silêncio morderás.

Teus dentes lhes darão sumo,
teus lábios lhes darão gosto
e o veludo que presumo
macio como o teu rosto.

Tuas mãos os farão belos
e alegres como facetas,
verdes, azuis, amarelos,
vermelhos e violetas.

De um arrepio, na espessura,
toda a floresta estremece.
Eu dou-te a minha loucura.
Dá-me o canto que a adormece.

António Gedeão

quarta-feira, outubro 29, 2008

Always on my mind...

Não sei porque, mas verdade é que não se vai embora! Quando não menos quero, quando menos preciso surge novamente no meu pensamento. Surge no meu pensamento a tua pessoa, a tua imagem, o teu sorriso, o teu olhar, e eu peço que te vás embora e não voltes, peço que fiques e que não te vás embora... Quero ouvir a tua voz, sentir o teu toque, não quero ouvir a tua voz e por favor não me toques... Quero saber a tua opinião, não quero saber a tua opinião... Quero saber o que sentes, o pensas, o que te vai na alma, e no final não quero saber nada... Vai-te embora!

Preciso de me libertar de algo que não sei o que é, porque não faz sentido, porque na verdade nunca estive presa, nunca existiu uma ligação, um comprisso, uma certeza, ou mesmo esperança... Existia o quê? Em que se prende o meu pensamento? Porque volta sempre?


quarta-feira, outubro 22, 2008

A Velhice é um Vento

Van Gogh - The Mulberry Tree

A velhice não é um estado de alma, chega sem ser convidada e fragiliza-nos deixando-nos à mercê de quem ainda não a conhece. Por isso, resta-nos esperar que quando nos visitar chegue em equilíbrio divino e nos deixe viver os últimos anos com máximo de dignidade!

A velhice é um vento que nos toma
no seu halo feliz de ensombramento.

E em nós depõe do que se deu à obra
somente o modo de não sentir o tempo,
senão no ritmo interior de a sombra

passar à transparência do momento.

Mas um momento de que baniram horas
o hábito e o jeito de estar vendo
para muito mais longe.Para de onde a obra
surde. E a velhice nos ilumina o vento.

Fernando Echevarría, in "Figuras"

quinta-feira, outubro 16, 2008

Inacreditável II


Ontem dirigi-me ao multibanco como quase todos os dias, levantei dinheiro e quando olho para o talão o meu saldo tinha menos €€€ do que seria suposto. Não fui às compras, não saiu nenhuma mensalidade, não fiz pagamentos pela net...... Bem, para que serve a gestora de conta.

E-mail: Cara Gestora de Conta,
o meu saldo tem um valor inferior ao que seria esperado e não fiz qualquer de movimentação que justifique o montante em falta. Poderia-me informar se ocorreu algum problema.
Muito Obrigado!
Com os melhores cumprimentos,

Hoje hora de almoço toca o telefone, número privado, humm......
Estou?
Bom dia, daqui fala do seu banco, gostaríamos de informá-la que foram efectuados movimentos fraudulentos da sua conta em Inglaterra. Como tal, iremos de imediato cancelar o seu cartão. Pedíamos-lhe que se dirija a uma agência para apresentar queixa de forma a que o montante lhe seja restituído. Pedíamos desculpa pelo incomodo. Obrigado!

Nem se quer tenho comentários...

quarta-feira, outubro 15, 2008

Amizade...


"Durante a nossa vida:

Conhecemos pessoas que vêm e que ficam,
Outras que, vêm e passam.
Existem aquelas que,
Vêm, ficam e depois de algum tempo se vão.
Mas existem aquelas que vêm e se vão com uma enorme vontade de ficar..."

Charles Chaplin

segunda-feira, outubro 13, 2008

Inacreditável


Sexta-feira ao fim da tarde, mais um fim de semana se avizinha! Desligo o PC, pego nas minhas coisas e digiro-me para o carro a pensar: Geladinho ou cinema hoje noite? Hum, vou ligar à S. no caminho para casa. Abro as portas, dou à chave, coloco a marcha-a-trás e acelero. Neste preciso momento, olho para todos os lados à procura do carro ou moto de corrida que estaria a passar por mim, tal era o barulho! Bem, não vejo nada! Volto acelerar, e então apercebo-me da figura triste, é o meu carrinho que está a fazer este barulhão!!! Que vergonha! Terei o escape furado? Não é possível....Não bati em nada no caminho de manhã, não ouvi nada! Telefono ao mecânico de serviço, o P., o meu salvador, e reporto a situação! De imediato diz-me para olhar para debaixo do carro e verificar se o tubo estava solto! Sim, está a bater no chão!!! Opsss.... Lá vem o P., em 10 minutos estava ao pé de mim! Arame na mão, deita-se no chão para amarrar o tubo para poder levar o carro para a oficina! Quando se levanta diz-me: roubaram o catalisador! Roubaram o quê? O catalisador??? Durante o dia, num sítio cheio de movimento? É verdade, alguém se colocou debaixo do meu carro, em pleno dia, e se deu ao trabalho de desmontar o catalisador.

Pois é, quando chegarem ao carro, acelerarem e acharem que entraram num Formula 1, preparam-se para gastaram uns quantos €€€ num catalisador! Porque algum espertalhão se deu ao trabalho de levar o vosso!

domingo, outubro 12, 2008

Ser Feliz



Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar o autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia construirei um castelo... 

Fernando Pessoa

sexta-feira, outubro 03, 2008

Não me compares


Não me compares com os demais que te rodeiam e te limitam não só os movimentos, mas também os pensamentos! Te constrangem e prendem numa gaiola sem fuga, que impedem a tua alma de voar bem alto e atingir todos os sonhos e desejos. Felizmente, os meus sonhos mais secretos em nada colidem com as tuas decisões e muito mesmo te algemam a uma vida sem sabor que apenas espera o próximo dia, a próxima semana, o próximo mês, o próximo ano.....

Não me compares porque de ti não espero nada, nem uma ida ao cinema, nem um passeio, nem um jantar, muito mesmo 1 minuto do teu precioso tempo gasto à espera da derradeira ocasião, do momento perfeito, da situação ideal que tudo vai solucionar, esclarecer e trazer o equilíbrio tão aclamado. Os conselhos que te incitam a mudar, a procurar a plenitude da vida podem parecer ideias sem fundamento, de um mundo irreal que não existe, mas a verdade é que tal como eu também tu o esperas alcançar. E como tal, tantas vezes fizeste questão de desabafar e contar as demais incertezas que circundam a tua vida! Muitas das palavras irritam-te porque pensas que menosprezo as tuas sensações e os teus confrontos diários que dependem de inúmeros pormenores. Mas na realidade devias olhar em volta e perceber quem afinal menospreza os teus sentimentos....

Não me compares porque na realidade não me conheces, aquilo que partilhamos não chega para poderes tirares conclusões, julgares pensamentos e emoções, e entender as entrelinhas dos meus pensamentos. Talvez a razão de tudo esteja aqui, também não te conheço o suficiente e aquilo que me transmites é claramente interpretado erradamente e a pessoa que penso que és afinal não existe, não passa de uma projecção da minha imaginação, de uma personagem de um filme criado por mim.

Não me compares porque vês uma realidade distorcida, própria de alguém que construiu um mundo aparte para esconder fragilidades e frustrações. Para justificar a permanência e o adiar de decisões importantes. Para justificar uma situação presa por dúvidas e conflitos que surgem da falta de auto-confiança e medos próprios de alguém que deixou os outros tomar as rédeas da sua vida.

Não me compares porque não sei tirar pedaço, não sei pedir e muitos menos dar parte fraca, e por isso, mesmo que precise de ti não o vais saber, não vais saber o quanto gosto de ti, o quanto te respeito, o quanto te admiro e o quanto desejo que encontres a felicidade!

segunda-feira, setembro 29, 2008

Quién muere?


Muere lentamente quien se transforma en esclavo del hábito, repitiendo todos los días los mismos trayectos, quien no cambia de marca, no arriesga vestir un color nuevo y no le habla a quien no conoce.

Muere lentamente quien hace de la televisión su gurú.

Muere lentamente quien evita una pasión, quien prefiere el negro sobre blanco y los puntos sobre las "íes" a un remolino de emociones, justamente las que rescatan el brillo de los ojos, sonrisas de los bostezos, corazones a los tropiezos y sentimientos.

Muere lentamente quien no voltea la mesa cuando está infeliz en el trabajo, quien no arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño, quien no se permite por lo menos una vez en la vida, huir de los consejos sensatos.

Muere lentamente quien no viaja, quien no lee, quien no oye música, quien no encuentra gracia en sí mismo.

Muere lentamente quien destruye su amor propio, quien no se deja ayudar.

Muere lentamente, quien pasa los días quejándose de su mala suerte o de la lluvia incesante.

Muere lentamente, quien abandona un proyecto antes de iniciarlo, no preguntando de un asunto que desconoce o no respondiendo cuando le indagan sobre algo que sabe.

Evitemos la muerte en suaves cuotas, recordando siempre que estar vivo exige un esfuerzo mucho mayor que el simple hecho de respirar.

Pablo Neruda

Ficou triste por ti, por não saberes ir à procura do que realmente é importante!

quarta-feira, setembro 24, 2008

Poema do afinal


No mesmo instante em que eu, aqui e agora,

Limpo o suor e fujo ao Sol ardente,

Outros, outros como eu, além e agora,

Estremecem de frio e em roupas se agasalham.

Enquanto o Sol assoma, aqui, no horizonte,

E as aves cantam e as flores em cores se exaltam,

Além, no mesmo instante, o mesmo Sol se esconde,

As aves emudecem e as flores cerram as pétalas.

Enquanto eu me levanto e aqui começo o dia,

Outros, no mesmo instante, exactamente o acabam.

Eu trabalho, eles dormem; eu durmo, eles trabalham.

Sempre no mesmo instante.

Aqui é Primavera. Além é Verão.

Mais além é Outono. Além, Inverno.

E nos relógios igualmente certos,

Aqui e agora,

O meu marca meio-dia e o de além meia-noite.

Olho o céu e contemplo as estrelas que fulgem.

Busco as constelações, balbucio os seus nomes.

Nasci a olhá-las, conheço-as uma a uma.

São sempre as mesmas, aqui, agora e sempre.

Mas além, mais além, o céu é outro,

Outras são as estrelas, reunidas

Noutras constelações.

Eu nunca vi as deles;

Eles,

Nunca viram as minhas.

A Natureza separa-nos.

E as naturezas.

A cor da pele, a altura, a envergadura,

As mãos, os pés, as bocas, os narizes,

A maneira de olhar, o modo de sorrir,

Os tiques, as manias, as línguas, as certezas.

Tudo.

Afinal

Que haverá de comum entre nós?

Um ponto, no infinito.

António Gedeão

Poemas Escolhidos

Lisboa, Sá da Costa, 2001

domingo, setembro 21, 2008

Sonhos

Exploding Clock - Salvador Dali

"Posso esperar mais um pouco mais. Tenho um sonho, mas ele não tem de ser vivido hoje, porque preciso de ganhar dinheiro.... Fazer coisas de que não gostava, como toda a gente. Entregar o seu corpo e a sua preciosa alma em nome de um futuro que nunca chegava, como toda a gente. Dizer que ainda não tinha o bastante, como toda a gente. A guardar só mais um pouquinho, como toda a gente. Esperar mais um pouco, ganhar algo mais, realizar os seus desejos depois,..."
11 minutos - Paulo Coelho

De entre todas as dúvidas e insertadas que possam cruzar o meu caminho, de uma coisa tenha certeza, não quero olhar para trás e pensar que não vivi os meus sonhos, não me dei uma oportunidade por estar à espera.... Quero me desafiar, viver, sorrir, gritar, explorar e crescer todos os dias um bocadinho!

quinta-feira, setembro 11, 2008

Sinais


Agora sim! Começo a interpretar pequenos sinais, ínfimos pormenores que tantas vezes passaram despercebidos, ficaram esquecidos e até mesmo ignorados. Não posso e não quero mais! Cada palavra, cada comentário, cada detalhe é agora minuciosamente assimilado, interpretado e avaliado. Nada pode escapar! Quero entender e redigir no meu ser o porque do fascínio, do tremer da alma e da profunda entrega e dedicação. Sem dúvida que à coisas que não se explicam, sentem-se! Mas quando as explicações começam a surgir e o fascínio começa a esmorecer penso que o fim do caminho se vislumbra. Isto não significa que esteja tudo descortinado e que tudo seja transparente, apenas que outra fase, outro estágio está para se iniciar, onde novas interrogações se podem elevar e tornar tudo mais simples ou talvez mais complicado. No entanto, onde estou não quero e não posso ficar! Assim, este exercício constitui um processo que tem por intuito encontrar o fim deste labirinto, mesmo que no fim deste se encontre outro mais complexo. Pois, pelo menos encontrarei um novo desafio.

As piadas que me fazem sorrir, as perguntas que me fazem corar, as histórias que me fazem despertam e as longas trocas de opinião, enaltecem o meu mundo, fazem-me respirar com alegria e querer-te vezes sem conta. Mas, as confissões que me fazem chorar, os pensamentos que me ferem e as discussões que me irritam, passo a passo, sobrepõem-se a todos os sentimentos que me fazem querer gritar ao mundo o quanto gostaria de explorar contigo o que de mais íntimo existe em mim. A profunda sensação de desconforto, a permanente negação e barreira intransponível fazem morrer aos poucos o desejo de encontrar e explorar cada pedaço teu.

segunda-feira, setembro 08, 2008

A muralha


Pergunto a mim própria, sou só eu que sinto?

Quanto mais o tempo passa mais me convenço que sim! No entanto isso não torna as coisas mais fáceis! O nó na barriga continua lá sempre que ouço alguns pensamentos ou confissões, a vontade de estar contigo não diminuiu e muito menos o que sinto quando olho para ti ou me tocas, nem que seja com a ponta do dedo! Ridículo e sem fundamento, talvez! Mas por isso mesmo me pergunto todos os dias, sou só eu que sinto?

No meu dia à dia procuro a fuga, concentro-me arduamente no que tenho para fazer e procuro não pensar. Procuro nas coisas boas, os amigos, as minhas leituras, as idas à praia, os meus passeios e as minhas viagens fugir e não pensar, não imaginar nem me iludir. Não acreditar em frases perdidas e sem nexo. No entanto, basta um toque, uma palavra, às vezes um olhar, para voltar tudo à estaca zero. Ridículo e sem fundamento, talvez! Mas por isso mesmo me pergunto todos os dias, sou só eu que sinto?

Tento perceber como aqui cheguei, como deixei crescer este sentimento se desde o início joguei à defesa, tentei ser a muralha que nada nem ninguém pode derrubar, a força constante que não se deixa perturbar, a guerreira que sabe sempre controlar as situações. Pois é, sem saber como roubaste-me a paz de espírito, entraste nos meus sonhos e invadiste o meu mundo! Sempre a dizer a mim mesma que nada se passava, quando tomei consciência constatei que era tarde. A muralha cedeu e mandar-te embora para reconstruí-la é difícil e na verdade nem sei se o quero fazer.....

Sim, sou só eu que sinto, e por isso, aos poucos a muralha volta novamente a ser erguida, tijolo a tijolo, à dias que coloco um, outros coloco dois, três, também à dias que alguns caem e o processo recomeça... mas sei que chego lá!


I have a dream ...


Fui no fim de semana ao cinema com uma amiga que está a passar por um momento menos bom! Como tal, tínhamos de ver algo divertido e inspirador!

Posso dizer que vou com alguma frequência ao cinema e há muito tempo que não saia assim de um filme! Só sei que cantei, ri e chorei, apenas não dancei porque tinha público! A música sem dúvida é algo que nos eleva a um patamar superior e por momentos nos faz libertar todas as emoções que possam estar reprimidas... E eu nem se querer gosto muito muito ABBA, o que seria se gostasse...

Quando cheguei a casa, fiz questão de ir à procura do velho CD, que digam o que disserem é rara a casa que não tem lá escondido o velho LP ou CD de ABBA, e fiz questão de passar as músicas para o meu iPod e cantar até mais não as velhas sonoridades. Incrível como nas entrelinhas consegui adaptar pequenos trechos à minha própria realidade! Realmente a música não tem ideia!

I have a dream, a song to sing
To help me cope with anything

If you see the wonder of a fairy tale

You can take the future even if you fail

I believe in angels

Something good in everything I see

I believe in angels

When I know the time is right for me

Ill cross the stream - I have a dream


Depois disto prometi a mim mesma que na próxima viagem seja ela a Londres ou Nova Iorque o musical de eleição será sem dúvida o MAMA MIA!

domingo, setembro 07, 2008

O porquê da criação!

Princess's Dream - Zorikto Dorzhiev

Alguém querido me disse: cria um blog e escreve, é libertador!

Depois de reflectir, pensei porque não? Afinal são tantos os pensamentos esquecidos que ficam por dizer que, porque não escrevê-los e levá-los ao mundo!

Ao adormecer os pensamentos fluem rapidamente sem qualquer controlo, a imaginação vaguei sem direcção e muitas vezes encontro respostas às minhas muitas dúvidas. No entanto, tais pensamentos acabam por cair em esquecimento depois de uma boa noite de sonhos ou de sono profundo. Assim, aqui pretendo deixar esses pedaços de mim, de forma a poder sempre encontrá-los.

Por outro lado, espero inspirar e ser inspirada por os demais que leiam e comentem o meu blog!