terça-feira, setembro 29, 2009

Ficará na memória

O Dookie é sem dúvida um álbum que estará sempre na minha lista discográfica, quem não se lembra de ouvir vezes sem conta o When I come around, She ou Longview. Para mim foi a década em que considero que comecei verdadeiramente a apreciar e a identificar-me com músicas e letras. Foi a época da ascensão dos Smashing Pumpkins, do desmoronamento dos Nirvana, do surgimento da Alanis M., da morte do grande Freddy Mercury, do lançamento do Black Album, do Ten dos fabulosos Pearl Jam, do OK Computer (não precisa de qualquer introdução), dos Offspring, Rage Against da Machine, and so on....

Como tal, não poderia deixar de ir ao concerto da passada segunda-feira dos Green Day. Ao contrário das muitas críticas que ouvi, que consideram que os Green Day se venderam ao capitalismo e se tornaram uma banda de "putos", discordo completamente. O que acontece é que tal como nós, que já não temos 15 anos, que crescemos e evoluímos, também eles o fizeram. E fizeram-no em grande, o American Idiot será sempre um álbum para ser recordado e relembrado, marcou uma posição política muito forte.

Para quem foi ao concerto, é impossível não ter saído de lá com um sorriso nos lábios, e a pensar: quando voltam? Excelente espectáculo, uma grande empatia com público e do público com a banda. Sim, haviam muitos miúdos, mas também lá estava a old school que gosta e não perde um grande concerto! Mais, para mim é excepcional ver miúdos a ouvirem boa música e a irem a concertos, porque hoje em dia liga-se a MTV e é deprimente o que se ouve. Já lá vai o tempo, que ponha a TV na MTV e ficava a estudar ao som dos videoclips que passavam. Aliás, à minha frente no concerto estava um pai com um miúdo, e digo-vos o pai curtiu bem mais as músicas que o puto! Imagino-me completamente daqui a uns anos a ir com os meus filhos aos concertos!!

É verdade que faltaram músicas no concerto que todos queriam ouvir, como o When I come around, ou Wake me up When September Ends, no entanto estamos a falar de uma banda com 18 anos, estavam à espera do quê? Que cantassem o repertório inteiro da banda?

Bem, acabo o posto ao som da música de despedida do concerto:




"Good Riddance (Time Of Your Life)"

Another turning point, a fork stuck in the road
Time grabs you by the wrist, directs you where to go
So make the best of this test, and don't ask why
It's not a question, but a lesson learned in time

It's something unpredictable, but in the end it's right.
I hope you had the time of your life.

So take the photographs, and still frames in your mind
Hang it on a shelf in good health and good time
Tattoos of memories and dead skin on trial
For what it's worth it was worth all the while

It's something unpredictable, but in the end it's right.
I hope you had the time of your life.

It's something unpredictable, but in the end it's right.
I hope you had the time of your life.

It's something unpredictable, but in the end it's right.
I hope you had the time of your life.



Green Day







segunda-feira, setembro 28, 2009

Esquecido? Não, apenas adormecido....

Os dias passam a voar, sempre com menos tempo do que aquele necessário para realizar tudo aquilo que tenho em mente e indispensável para cumprir com a minha palavra. Não paro para pensar, tenho a sensação de estar a fazer tudo em automático: levantar, despachar, aulas, lazer com a família, jantar, trabalhar, dormir, levantar, despachar, votar, casa da J., troca de palavras, trabalhar, almoçar, trabalhar, ...., levantar, trânsito, correr, reunião, casa, supermercado, concerto,... and it keeps going and going ...

Nesta correria parei de pensar, de me lembrar, de fantasiar, os sentimentos estão adormecidos! Guardados a algures cá dentro! Como sei que não estão esquecidos? Simples, naqueles segundos antes de adormecer, e são mesmo segundos porque a almofada e os lençóis recebem-me prontos para me embalar, um turbilhão de sensações percorrem-me e adormeço com elas, e por vezes acompanham pela noite em sonhos que são impossíveis de relatar, apenas sei que existiram!

quinta-feira, setembro 10, 2009

Quem morre?

Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê, quem não ouve música,
quem destrói o seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar.


Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.


Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is"
a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.


Morre lentamente quem não vira a mesa 

quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite, 

uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se 

da má sorte ou da chuva incessante, 
desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.


Evitemos a morte em doses suaves, 
recordando sempre que estar vivo exige um esforço 
muito maior do que o simples acto de respirar. 


Somente a perseverança fará com que 
conquistemos um estágio pleno de felicidade.

Pablo Neruda

quarta-feira, setembro 09, 2009

Road To Nowhere

Na lua

Esqueço-me de tudo ... Onde coloquei documentos do trabalho e entro pânico, quando estão mesmo à minha frente. Ir aos correios levantar uma carta registrada, de ligar avisar que não janto, que tinha depilação marcada, do teste que me espera segunda-feira, de avisar que não venho trabalhar segunda-feira... Efectivamente não me esqueço da cabeça porque está presa aos pescoço... Tenho de apontar tudo e mesmo assim é complicado... O que se passa??? A J. riu-se e disse:

- Quando as pessoas andam esquecidas das duas uma: ou estão em stress ou apaixonadas!!

Reflecti... Nenhuma das duas... Sim, devia andar em stress com as coisas que estou acumular e tenho mesmo de fazer... Mas não estou estou!!! Pelo contrário, vou às compras, ao cinema, jantar fora... Ficar a trabalhar está complicado... Apaixonada? Era bom... Era sinal que tinha esclarecidos ideias, mas não... Alguém me explica o que se passa?

segunda-feira, setembro 07, 2009

sábado, setembro 05, 2009

Envolvente

Já de malinhas feitas, apenas à espera que a S. terminasse de escolher as suas roupinhas para semana de praia em Tróia, lembrei-me:
- O meu Livro!!! Ficou em casa.... E agora? Deitadinha na toalha a absorver os raios solares sem livro .... não dá!
A S. prontamente estende um livro da prateleira e diz-me:
- Leva este, vais gostar!
Eu relutante e ainda fixa no Shantaram que mal tinha iniciado, disse para mim mesma mas nada convencida:
- Lá terá de ser...

Em plena praia a perder de vista, Sol fantástico e para espanto nosso água quente, a S. vira-se para o seu livro e eu que remédio tive senão pegar no livro cedido simpaticamente e li: "A Sombra do Vento" - Carlos Ruiz Zafón. Confesso que não fiquei presa pelas primeiras folhas,  mas sem dar por mim encontrei-me completamente envolvida pelo romance e a querer saber tudo sobre o misterioso Júlian Carax.

Não foi daqueles livros que li sem respirar, sem querer parar um minuto, foi um livro saboreado, degustado, em que cada palavra desvendava mais um bocadinho do enredo da história, mas também significa que me levava para o final, e eu queria que a melodia a que soam as palavras de Zafón não terminassem. Assim, levei o meu tempo para imaginar cada pormenor da história, visualizar e entrar na atmosfera de mistério e romance, e percorrer as ruas de Barcelona juntamente com Daniel, Bea e Fermín.

Mal Terminei já tinha saudades da história e vi-me agarrada ao livro a reler trechos que me fizeram pensar, cheirar, arrepiar, suar, ter medo, vergonha, raiva, e sonhar...

"Levantei-me cedo, devorado pela ansiedade, e comecei a percorrer o quarto como um animal enjaulado. Todos os  meus escrúpulos, os meus receios e temores se desfaziam agora em cinzas, insignificantes. A fadiga, o remorso e o medo venciam-me, mas senti-me incapaz  de permanecer ali, a esconder o rasto das minhas acções. ...Tinha começado a nevar quando saí a porta da rua e o céu desfazia-se em lágrimas preguiçosas de luz que assentavam no bafo e desapareciam. Corri em direcção à Praça Cataluna, deserta. No centro da Praça, solitário erguia-se a silhueta de um velho, ou talvez fosse um anjo desertor, .... Rei do Alvorecer, erguia o olhar ao céu e tentava em vão apanhar flocos de neve com as luvas, rindo-se. Ao passar ao lado dele olhou-me e sorriu com gravidade, como se pudesse ler-me a alma numa olhadela. Tinha os olhos dourados como moedas enfeitiçadas no fundo de um lago.
- Felicidades - pareceu-me ouvi-lo dizer." 
(A Sombra do Vento - 1955; pp. 467)


"- As putas?
- Não. Putas todos o somos, mais tarde ou mais cedo. Eu digo as pessoas de bom coração. e não olhe assim para mim. A mim os casamentos põem-se que nem um pudim flan."
(As águas de Março - 1956; pp. 499)


"O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele."
(Cidade de Sombras - 1954; pp. 241)


A Sombra do Vento 
de Carlos Ruiz Zafón

sexta-feira, setembro 04, 2009

AHHH!!

Isto hoje está complicado, está, ... Alguém me arranja outra coisa em que pensar....



quinta-feira, setembro 03, 2009

MOTELx

Para os amantes de cinema ontem começou um Festival a não perder no S. Jorge:
MOTELx


terça-feira, setembro 01, 2009

Palco da vida

Você pode ter defeitos,
viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo.
E você pode evitar que ela vá a falência.

Há muitas pessoas que
precisam, admiram e torcem por você.
Gostaria que você sempre se lembrasse
de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade,
caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas,
relacionamentos sem desilusões.

Ser feliz é encontrar
força no perdão, esperança nas batalhas,
segurança no palco do medo, amor nos desencontros.
Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza.
Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender
lições nos fracassos.

Não é apenas ter júbilo nos aplausos,
mas encontrar alegria no anonimato.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena
viver, apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da
própria história.

É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manha pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples ,
que mora dentro de cada um de nós.

É ter maturidade para falar "eu errei".
É ter ousadia para dizer "me perdoe".
É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você".
É ter capacidade de dizer "eu te amo".
É ter humildade da receptividade.

Desejo que a vida se torne um canteiro
de oportunidades para você ser feliz...
E, quando você errar o caminho, recomece,
pois assim você descobrirá que ser feliz
não é ter uma vida perfeita, mas usar
as lágrimas para irrigar a tolerância.
Usar as perdas para refinar a paciência.
Usar as falhas para lapidar o prazer.
Usar os obstáculos para abrir as janelas
da inteligência.

Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz,
pois a vida é um obstáculo imperdível,
ainda que se apresentem dezenas de factores
a demonstrarem o contrário.



Fernando Pessoa

New York, New York ...

Há sempre motivos para querer ir ou voltar À Cidade, mas este é sem dúvida uma boa  inspiração:


Tim Burton no seu museu (MoMA)

"Exposição no MoMA de Nova Iorque receberá, a partir de 22 de Novembro, mais de 700 peças da colecção do realizador, incluindo desenhos, bonecos e pinturas mas também "storyboards" dos seus filmes"